O Coletivo

Blog do escritor Juliano Rodrigues. Aberto a textos gostosos de quem quer que seja. Contato: julianorodrigues.escritor@gmail.com

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Consoada deturpada



Há poetas e poemas que são irretocáveis. Assim são "Consoada", de Manuel Bandeira, "Amor Eterno", de Gustavo Adolfo Bécquer e "Despertáculo", de Pio Vargas. Também o "Fausto", de Goethe, mas nesse caso parece que o diluente é muito e dissolve o princípio ativo demais (é excessivamente longo).
Inspirado na "Consoada" surgiu minha "Consoada deturpada". Incriada, surgiu pronta, da alma, como se psicografada (rsrsrs). Veja primeiro o poema de Manuel Bandeira e depois o meu:


Consoada
                                    Manuel Bandeira

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.





Consoada deturpada
                                
                                        Juliano Barreto Rodrigues.

Quando a Indesejada das gentes chegar
Que venha ‘tsunâmica’,
Bruta e apressadíssima,
Quase sem tempo para mim.
Talvez, ironicamente eu sorria,
Mas espero não ter tempo de dizer nada.
Não sei se a casa estará limpa
Ou a mesa posta.
Mas, com certeza,
Já estarei quase passando de pronto.