O Coletivo

Blog do escritor Juliano Rodrigues. Aberto a textos gostosos de quem quer que seja. Contato: julianorodrigues.escritor@gmail.com

quinta-feira, 21 de julho de 2016


                             CANDEIA

                               Juliano Barreto Rodrigues

Ateio a torcida da lamparina de cristal,
Que bruxuleia a flama num lumaréu anêmico,
E enodoa a griseta de latão doirado,
Mau clarejando um raio curto.

O apetrecho me espelha.
Queimo feito labareda lânguida,
De lume fremilúcilo e raquítico,
Embora cálido e cintilante.

A alvura luminescente
Contrasta com a caligem negra
Que resta da combustão da querosene
E deixa uma fetidez tóxica que identifica a fluida acendalha

Bianco y nero,
Tetro e níveo,
luzente e soturno
lúgubre e rutilante...

A sombra abraça a luz que a cria
Em simbiose perfeita,
Revelando degradês suaves,
Resultantes da dependência orgânica entre ambas.

Assim somos:
Quanto mais luz emanamos, mais intensas as sombras contíguas.
Se em redor há sombras espessas, sinal de que um clarão está vizinho.
A escuridão persegue o fulgor.

E quando o combustível acaba?
A noite engole tudo?
O Sol só permanece vinte e quatro horas no firmamento,
Não se pode contar com Ele o tempo todo.

Para reduzir as trevas, só uma solução:
Várias luzes reunidas lado a lado,
Ocupando sítios estratégicos,
Umas clareando o vácuo deixado pelas outras.