O Coletivo

Blog do escritor Juliano Rodrigues. Aberto a textos gostosos de quem quer que seja. Contato: julianorodrigues.escritor@gmail.com

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Sugestão de leitura – COMO ESCREVER PARA WEB : elementos para a discussão e construção de manuais de redação online





FRANCO, Guillermo. Como Escrever para WEB : elementos para a discussão e construção de manuais de redação online. Knight Center for Journalism in the Americas. 200? Disponível em: 




Juliano Barreto Rodrigues

Livro escrito, essencialmente, para jornalistas. Mas o autor assegura que é proveitoso para a redação de todo texto a ser publicado na Web. Tem toda a razão, embora eu acrescente que é muito proveitoso para quem escreve o que quer que seja, em qualquer lugar ou suporte, não apenas na internet.

Por que apresento este livro em um blog de criação literária? Porque, dentre minhas leituras, considerei este um livro essencial, também, para quem faz literatura (principalmente a ser disponibilizada na Web). Traz uma radiografia do texto, uma visão de seus elementos, sempre com vistas a despertar imediatamente o interesse do leitor e a prendê-lo, fazendo com que o leia (e que também interaja, clicando para outras páginas disponíveis), e tenha, enfim, uma experiência positiva no contato com nosso site, ou blog, ou rede social. A radiografia, de que falei, faz com nós que escrevemos tenhamos um novo olhar sobre cada palavra, sua função, sua disposição, sobre as frases, parágrafos, o bloco do texto, etc. Parece que, de repente, o que víamos como um todo bom ou ruim passa a ser visto nas suas pequenas partes, ficando fácil identificar onde está o que é bom e o que é ruim, o que destacar, permitindo modificar, consertando o texto.

Na escrita para a Web, por causa da função dos textos e da peculiaridade do suporte em que são apresentados – a tela luminosa do computador –, os títulos, primeiras palavras, primeiras frases são fundamentais para captar e prender o leitor, que na Web escaneia a página antes de ser fisgado, decidindo-se a ler. Assim, intertítulos, parágrafos curtos, textos curtos, facilitam a leitura e contribuem para que um texto seja lido até o final. Para tornar o texto enxuto, conciso, cada palavra deve ser bem escolhida (curta, clara e exata), atraente e estrategicamente bem colocada. A ideia que mais chama a atenção deve vir primeiro. É uma escrita que têm muito de publicidade, de “vender” o texto.

O autor faz um histórico da utilização da pirâmide invertida, lembrando a importância do seu surgimento, o momento em que ela passou (antes do advento da internet) a ser considerada obsoleta, sendo rechaçada pelos jornalistas, até seu resgate, a partir da universalização da rede mundial de computadores.

Pirâmide invertida é uma técnica de hierarquização de conteúdo que consiste em colocar, logo no início do texto, as informações mais interessantes ou importantes, e ir decrescendo, nos outros parágrafos, para as menos importantes (contexto, detalhes secundários, etc.). A pirâmide invertida horizontal traz a mesma ideia para dentro de cada parágrafo, levando o redator a colocar o prioritário na primeira frase, nas primeiras palavras, e ir decrescendo para as informações menores.

Guillermo Franco considera que, talvez, o modelo de pirâmide invertida não seja interessante para o artista, o escritor de ficção, o literato, o cronista, nem para quem faz um certo tipo de jornalismo literário. Mas, na minha opinião, podemos aproveitar, mesmo nas criações ficcionais, muito do que ele traz no livro – principalmente a questão de prioridades no texto. Ele trata do tamanho das frases, dos parágrafos... Para você dar ênfase a alguma ideia, por exemplo, é interessante alternar um parágrafo longo com um curto, ou colocar entre dois parágrafos longos um curto – o parágrafo curto provavelmente vai se destacar. O mesmo ocorre com as frases curtas: uma frase curta colocada entre frases mais longas, a frase curta vai chamar a atenção. O autor também trabalha a questão da adjetivação e do uso de adverbios, observações que podem ser aproveitadas por quem escreve literatura ou qualquer outro gênero.

Respeitado o bom senso e a questão de conveniência, dá para aproveitar na criação literária muito do que é apresentado no livro. Da comparação consciente entre as diferenças (técnicas, de estilo e de função) da escrita para Web e da escrita literária impressa, extrai-se elementos que podem se modificar ou misturar para fazer de um texto algo melhor.

A obra traz uma profusão de exemplos e comparações, que ensinam, na prática, como identificar um texto bom ou ruim para Web, permitindo melhorar ou fazer do zero algo mais adequado para internet. No livro há gráficos e tabelas que facilitam o entendimento e visão do todo. Um defeito a ser destacado é que, toda vez que o autor cita parte de outra obra ele faz a referência completa dentro do próprio corpo do texto, tornando enjoativo o fato do leitor ter que ver a mesma referência 10 ou 15 vezes. 

É um livro que veio atender à necessidade de formação específica de jornalistas (mas não se restringe a eles). Muito didático, as informações são todas muito pertinentes e importantes. É um livro em que o leitor realmente aprende aquilo a que ele se propõe. O fato de ser disponibilizado gratuitamente é ótimo, porque facilita o acesso.

Dentre os materiais que tratam de escrita para a WEB com os quais tive contato até agora, este é, com certeza, o mais direto, interessante e rico de conteúdo.