O Coletivo

Blog do escritor Juliano Rodrigues. Aberto a textos gostosos de quem quer que seja. Contato: julianorodrigues.escritor@gmail.com

terça-feira, 1 de dezembro de 2015



CONFISSÃO (JUIZO VENAL) – ou alegoria ilacrimável

                                                 Juliano Barreto Rodrigues

Escamoteie toda tua vileza
Na carinha boa e em teus gestos cultivados.
Podes enganar a ti mesmo?
Podes cobrir o porco com pele de arminho?

Dó de ti, feze feia!
Antes assumisses o que és;
Recheias a multidão de estúpidos com tua cara blasé
E enfeita a mixaria da tua classe inócua.

(ABRINDO O JOGO)

Não se engane comigo. Não sou melhor do que tú.
Sou um ignóbil criticastro
Que te difama por não ter coragem de ousar contra si mesmo.
Então soframos, corujas débeis!

Sonhos de harpia
Não nos fazem sequer corvos.
Me abrace,
Abrace seu herodes com carinho e deixo que o mates.

Chegarei primeiro e te ciceronearei no inferno,
Para onde ambos iremos.
Vamos rir juntos
Aos pés da fornalha ardente.

O azougue nos consuma com seu brilho
Que, pelo menos, algum brilho ostentaremos.
Te empresto os vícios meus
E tu me deixes gozar os vícios teus.

(RESPOSTA INESPERADA)
--- Sumamos!

(NOVAMENTE O CRÍTICO)
Quem dera a natureza fosse generosa assim.
Antes da purga não nos permitem desaparecer.
É preciso doer, doer,
Para só com insistência fenecer.

(Posso, ao menos, calar a minha língua?
Que bem faria para a humanidade!
Foi ela que me pôs a perder.
Sem ela, cessaria toda minha maldade).

(O OUTRO)
--- E que jeito, que solução?
Por mais que faça, meu passo é vão.
Tenhamos misericórdia um do outro.
Acabe comigo, e te acabo então.

(OS DOIS EM UNÍSSONO)
Feito!!!!